ESQUERDA, DIREITA E
IMPEACHMENT.+
A diferença básica do comportamento
da esquerda em relação à direita e ao legítimo direito de procedimento de
impeachment, reside nas culturas diferenciadas do chamado “gregare”, vivido na
esquerda e abolido na direita, com prejuízo a maioria da população que não está
nem de um lado, nem de outro, mas não sente que este Governo, devido ao
descrédito que ele próprio gerou o representa mais; em relação a isto basta ver
a diferença do espírito de corpo das pessoas vivendo acampadas no MST quando se
sabe as dores, mazelas, tristezas e alegrias tornando-se vivências individuais
em coletivas, em relação aos conviventes
de qualquer condomínio horizontal ou vertical , que em alguns casos só depois
de um cadáver começar a feder o prédio todo, é que se sabe que o vizinho
morreu.
Isto posto, o que é importante, é que o espírito de corpo, o “gregare”
não pode conduzir a sentença de arquétipo destoante do direito comum, porque se
converte em causa injusta e, as pessoas individuais sem “gregare” devem ter
garantida participação ativa, respeitado isolamento, na condução dos destinos
comuns, porque deles faz parte inexoravelmente, a disputa aqui não pode ser de
quantas pessoas fazem parte do show ou assistem o espetáculo, posto que não é
peça de teatro onde só os participantes podem dele falar; o assunto aqui é
vida, o show maior que todos fazemos parte.
Note-se que esta maioria que
sempre se portou de maneira silenciosa, com medo dos governos repressivos,
optou pela esquerda para fugir da repressão e, agora, conseguiu encontrar de
volta a mesma repressão, somente de outra forma.
Repressão, para quem optou por
não ter que se agregar para ter seus
direitos não tolhidos, é o simples fato de que, os organizadores de oposição as
manifestações de hoje ameaçaram colocar o MST na rua e acabar com a
manifestação, daí que não existe diferença alguma entre o comportamento
repressivo de direita, esquerda e impeachment, todavia, o povo, não é inculto,
o povo sabe o que quer, e mais do que isso, de A a Z, não aceita mais
bandalheira, único sentimento comum das manifestações opostas.
Agora, o Governo, não é núcleo
isolado para os governados, ontem foi divulgado que há emprestado pelo Banco do
Brasil (msn) 20 bilhões de reais, que se comprometem ao recebimento na forma e
prazo devido, comprometendo os planos do que o BB faria com o recebimento deste
dinheiro, e, o que é pior, no cenário de investidores, e, presença do BB no
grupo da Bolsa denominado “tag along”,que garante o valor de resgate do capital
investido em subscrição de ações do BB, significando que se o investidor tiver
medo e quiser reaver seu dinheiro, o Banco vai ter que pagar independentemente
de cotação de referidas ações.
Na prática, o movimento de hoje
representa dar tranquilidade para quem acredita e investe no Brasil, e, como
decorrência de cenário ameaçador, vai correr para não perder, e, com isto, possibilidade
de ruptura do quadro de gerência do capital administrado pelo banco, em
desfavor sempre dos correntistas e do Brasil.
O movimento de hoje, apesar não
pertencer ao quadro de pessoas que não tem o sentimento de “gregare” da esquerda,
que cria o espírito de corpo sólido, não perde em legitimidade e capacidade
postulatória, no que tange a querer que o cenário de investidores e descréditos
internos e externos remetam ao descaminho e aumentar ainda mais a crise endêmica
e sistêmica amplamente noticiada e vivida.
O que se pretende é botar o barco
de volta no prumo, e, como isto depende de conjunção de fatores que vai muito
além de vontade da esquerda de se manter de forma insana no poder, passando em
primeiro lugar pela retomada de credibilidade interna, individual e coletiva,
pouco importa se o governo está sendo vitorioso pelo número pouco expressivo e
a pouca capacidade de direcionamento postulatório, o direito de plebiscito ao
impeachment se demonstrou razoável e pragmático o suficiente para que os
parlamentares responsáveis pela retomada do bom caminho encontrem a solução
salomônica de dar ao povo a responsabilidade de decidir o quanto o gravame dos
desmandos é representativo ou não para a continuidade do governo.
Devo dizer que meu sentir, que,
hoje o governo está desprovido de legitimidade e com ou nenhuma credibilidade,
agora, se de um plebiscito, resultar que o povo não quer mudar o governo, passa
o povo o aval ao atual mandato, particularmente, duvido muito, mas respeito
esta solução que parece a mais honrosa.
Brasil, 15 de março de 2015.
Hélio Barreto dos Santos Filho
OAB SC 7487 DF 36606
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