domingo, 15 de março de 2015

ESQUERDA, DIREITA E IMPEACHMENT


ESQUERDA, DIREITA E IMPEACHMENT.+

 

A diferença básica do comportamento da esquerda em relação à direita e ao legítimo direito de procedimento de impeachment, reside nas culturas diferenciadas do chamado “gregare”, vivido na esquerda e abolido na direita, com prejuízo a maioria da população que não está nem de um lado, nem de outro, mas não sente que este Governo, devido ao descrédito que ele próprio gerou o representa mais; em relação a isto basta ver a diferença do espírito de corpo das pessoas vivendo acampadas no MST quando se sabe as dores, mazelas, tristezas e alegrias tornando-se vivências individuais em coletivas,  em relação aos conviventes de qualquer condomínio horizontal ou vertical , que em alguns casos só depois de um cadáver começar a feder o prédio todo, é que se sabe que o vizinho morreu.

Isto posto, o que  é importante, é que o espírito de corpo, o “gregare” não pode conduzir a sentença de arquétipo destoante do direito comum, porque se converte em causa injusta e, as pessoas individuais sem “gregare” devem ter garantida participação ativa, respeitado isolamento, na condução dos destinos comuns, porque deles faz parte inexoravelmente, a disputa aqui não pode ser de quantas pessoas fazem parte do show ou assistem o espetáculo, posto que não é peça de teatro onde só os participantes podem dele falar; o assunto aqui é vida, o show maior que todos fazemos parte.

Note-se que esta maioria que sempre se portou de maneira silenciosa, com medo dos governos repressivos, optou pela esquerda para fugir da repressão e, agora, conseguiu encontrar de volta a mesma repressão, somente de outra forma.

Repressão, para quem optou por não  ter que se agregar para ter seus direitos não tolhidos, é o simples fato de que, os organizadores de oposição as manifestações de hoje ameaçaram colocar o MST na rua e acabar com a manifestação, daí que não existe diferença alguma entre o comportamento repressivo de direita, esquerda e impeachment, todavia, o povo, não é inculto, o povo sabe o que quer, e mais do que isso, de A a Z, não aceita mais bandalheira, único sentimento comum das manifestações opostas.

Agora, o Governo, não é núcleo isolado para os governados, ontem foi divulgado que há emprestado pelo Banco do Brasil (msn) 20 bilhões de reais, que se comprometem ao recebimento na forma e prazo devido, comprometendo os planos do que o BB faria com o recebimento deste dinheiro, e, o que é pior, no cenário de investidores, e, presença do BB no grupo da Bolsa denominado “tag along”,que garante o valor de resgate do capital investido em subscrição de ações do BB, significando que se o investidor tiver medo e quiser reaver seu dinheiro, o Banco vai ter que pagar independentemente de cotação de referidas ações.

Na prática, o movimento de hoje representa dar tranquilidade para quem acredita e investe no Brasil, e, como decorrência de cenário ameaçador, vai correr para não perder, e, com isto, possibilidade de ruptura do quadro de gerência do capital administrado pelo banco, em desfavor sempre dos correntistas e do Brasil.

O movimento de hoje, apesar não pertencer ao quadro de pessoas que não tem o sentimento de “gregare” da esquerda, que cria o espírito de corpo sólido, não perde em legitimidade e capacidade postulatória, no que tange a querer que o cenário de investidores e descréditos internos e externos remetam ao descaminho e aumentar ainda mais a crise endêmica e sistêmica amplamente noticiada e vivida.

O que se pretende é botar o barco de volta no prumo, e, como isto depende de conjunção de fatores que vai muito além de vontade da esquerda de se manter de forma insana no poder, passando em primeiro lugar pela retomada de credibilidade interna, individual e coletiva, pouco importa se o governo está sendo vitorioso pelo número pouco expressivo e a pouca capacidade de direcionamento postulatório, o direito de plebiscito ao impeachment se demonstrou razoável e pragmático o suficiente para que os parlamentares responsáveis pela retomada do bom caminho encontrem a solução salomônica de dar ao povo a responsabilidade de decidir o quanto o gravame dos desmandos é representativo ou não para a continuidade do governo.

Devo dizer que meu sentir, que, hoje o governo está desprovido de legitimidade e com ou nenhuma credibilidade, agora, se de um plebiscito, resultar que o povo não quer mudar o governo, passa o povo o aval ao atual mandato, particularmente, duvido muito, mas respeito esta solução que parece a mais honrosa.

Brasil, 15 de março de 2015.

 

Hélio Barreto dos Santos Filho

OAB SC 7487 DF 36606

 

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